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13 de julho de 2015

História dos 1000km de Suzuka FINAL

Por Nick Nagano do Super GT Brasil.

História dos 1000 km de Suzuka IV/Final – Uma década de turismo japonês

Suzuka 1000km 2009

Enfim chegamos na parte final da história dos 1000 km de Suzuka. Esta é a parte que integra em definitivo o período dos GT500 que vimos no JGTC e vemos hoje na SUPER GT.

No post anterior você viu o período em que o turismo dominou o certame através do BPR e do FIA GT. Para 1999, o FIA GT acabou sendo reformulado, proibindo de vez os carros da classe GT1 e transformando a classe GT2 na principal, renomeada de “GT”. Mas o campeonato teve os 1000 km de Suzuka retirado do calendário, dando assim a demanda para as equipes locais a inscrever seus carros naquela edição. Um numero considerável de equipes que estavam ativas no JGTC se interessaram pela corrida e inscreveram um ou dois carros na corrida. Vale lembrar que, os 1000 km de Suzuka sequer valiam para o JGTC na época. O campeonato já tinha Suzuka no calendário, mas no formato de 300 km, deixando a corrida tradicional de 1000 km isolada, sem ser parte de nenhum campeonato até 2005.

A edição de 1999 foi vencida no geral por um carro da GT500: um Honda NSX especial da DOME, em parceria com a MUGEN. A partir daquela edição, nascia o brilho da Honda nos trechos de sua própria casa, pois nunca antes na história dos 1000 km de Suzuka a montadora teve um representante vencedor no geral.

Feito repetido no ano seguinte, com mais inscritos que no ano anterior, as primeiras posições foram praticamente as mesmas da do ano passado (o mesmo Honda NSX da DOME em primeiro e uma McLaren do Team Take One em segundo). A corrida teve forte presença de Porsche’s 911, dos mais variados tipos, de RSR à GT2, e algumas equipes ativas da Super Taikyu, disputando corrida pela classe “S”.

NISMO GT-R Suzuka 1000km ano 2000
O GT-R inscrito pela NISMO nos 1000 km de Suzuka de 2000

Em 2001, o Toyota Supra era o favorito da temporada do JGTC, mas apenas dois deles oriundos dos galpões das equipes foram inscritos naquela edição dos 1000 km de Suzuka. O favoritismo no campeonato coincidiu com a primeira vitória do modelo na prova de endurance, que foi obtida pelo Supra da CERUMO, com volante de três nomes bastante conhecidos no Japão: Hironori Takeuchi, Shigekazu Wakisaka e Yuji Tachikawa (sendo este o último campeão da GT500, em 2013). Assim como o Honda NSX, o Supra conseguiu sequenciar sua vitória no ano seguinte, dessa vez pelo suporte da ESSO Team LeMans. O Honda NSX (já na geração facelift NA2) voltou a terminar na frente logo nos dois anos seguintes – o mesmo carro, inclusive. A dupla de 2003 foi o japonês Ryo Michigami e o francês Sebastien Philippe, e no ano seguinte Daisuke Ito integrou-se ao time da DOME para disputar a vitória geral na corrida.

Honda NSX NA2

A edição de 2005 marcou por ser a última “solta”, confirmando os 1000 km de Suzuka de 2006 em diante como parte do calendário das temporadas da SUPER GT até hoje. Isso significa que, todas as outras classes sem ser GT500 e GT300 foram banidas da corrida. Aquela última edição isolada foi vencida pelo Toyota Supra da SARD (foto), já construído nos novos regulamentos da GT500.

Tri-campeão da SUPER GT Ronnie Quintarelli, André Couto e Hayanari Shimoda
O tri-campeão da SUPER GT Ronnie Quintarelli levanta a taça dos 1000 km de
Suzuka 2005, ao lado do macaense André Couto e o japonês Hayanari Shimoda

 Na edição de 2006, além da integração dos 1000 km de Suzuka como parte da SGT, o campeonato teve como uma das novidades o Lexus SC430, que substituiu o Supra de vez no campeonato. Nesta edição, considerada da atual geração, foi vencida pelo #12 CALSONIC IMPUL Z, guiado por Kazuki Hoshino, Benoit Treluyer e mais um francês: Jéremie Dufour. Outro Z terminou no pódio: o #22 MOTUL AUTECH Z da NISMO, guiado por Michael Krumm, Richard Lyons e o brasileiro Fabio Carbone – a primeira participação do brasileiro no campeonato.

Falando em Brasil, a temporada de 2006 da SUPER GT foi a primeira do piloto brasileiro mais influente no Japão: João Paulo de Oliveira. O brasileiro andou no Nissan Z da Hasemi Motorsport (#3 YellowHat YMS TOMICA Z) e com suporte dos colegas Naoki Yokomizo/Darren Manning, terminou em oitavo geral.

A edição dos 1000 km de Suzuka de 2007, a segunda integrando o campeonato, teve os mesmos inscritos do ano anterior, porém, a vitória ficou com o #1 Houzan TOM’S SC430, um ano depois de estrear no automobilismo. No ano anterior, o Celica levou a corrida da GT300, mas em 2007, foi o ano do Mooncraft Shiden, que por sua vez, teve bastante influência na conquista do título de equipes na GT300 graças a esta corrida. O campeonato passou três vezes por Suzuka naquele ano.

O terceiro ano da SUPER GT nos 1000 km de Suzuka, em 2008, foi completamente dominado pela Nissan nas duas classes. O ano ficou conhecido como “O ano do GT-R”, marcando a volta do carro à principal categoria de turismo do país depois de ser substituído em 2004 pelo irmão Nissan Z e, de quebra, o título no campeonato e a primeira vitória na história dos 1000 km de Suzuka. Na ocasião, Tsugio Matsuda/Sebastien Phillipe venceram com o #12 CALSONIC IMPUL GT-R, superando a perda que tiveram nos 300 km de Suzuka, a primeira etapa da SUPER GT naquela ano.

Suzuka 1000km 2008
O vencedor da prova de 2008, que bateu no mesmo ano pelos 300 km de Suzuka

2009 seria mais uma temporada daquelas, se não fosse por um fato: era a despedida do Honda NSX da classe GT500. Depois de anos sendo carro de combate da Honda no campeonato, a influência de ter sido um carro descontinuado na produção desde 2005 pesou.

A edição de 2009 acabou quebrando a tradição da corrida. Houve um corte para 700 km apenas, na tentativa de diminuir emissões de poluentes causados pela gasolina. A edição mais curta foi vencida pelo #35 Kraft SC430. O melhor NSX terminou em quarto geral. A ARTA terminou o ano em segundo lugar no ranking de pilotos e de equipes, deixando um honroso feito ao NSX na sua passagem pelo campeonato. Vale ressaltar que o Honda NSX é o recordista entre todos os tipos de carros com vitórias nos 1000 km de Suzuka: 4 no total.

Suzuka 1000km 2008 - noturna
Hoje não se vê mais: desde que foi realizada em poucos 700
e 500 km, a corrida não pega mais a parte do anoitecer

2009 foi um ano curioso pelo fato de ter previsto a volta de um possível novo NSX para as ruas, não precisando ser meramente abstido das pistas, mas isso acabou não concretizando. O resultado, vocês já sabem: nasceu o HSV-010. E para honrar o nome da Honda em sua própria casa, foi ele quem venceu as duas seguintes edição, de 2010 (também disputada em 700 km), 2011 (disputada em 500 km) e 2013. Em 2012, a corrida voltou a ter 1000 km de duração e a MOLA conquistou o título no mesmo ano com muita influência na vitória em Suzuka, que desde 2006 (excluindo as edições de 2009, 2010 e 2011), quando o campeonato passou a ingressar nos 1000 km, deu pontuação dobrada aos participantes da temporada.

Suzuka 1000km 2009 - 2

Lista de recordes de vitórias por carros:

  • Honda NSX – 4 vitórias
  • Toyota Supra, Nissan GT-R, Nissan Fairlady Z, Honda HSV-010, Porsche 956, Porsche 962 – 3 vitórias
  • Lexus SC430, McLaren F1 GTR, Mercedes-Benz CLK-GTR(LM), Porsche 906 – 2 vitórias
  • Lexus RC F, Toyota 2000GT, Toyota 7, Toyota Celica, Toyota 87C, Toyota 91C-V, March 75S, Porsche 935, Porsche 911, BMW M1, Peugeot 905, Nissan R92CP – 1 vitória

Lista de recordes de vitórias por marcas:

  • Porsche – 11 vitórias
  • Toyota – 8 vitórias
  • Honda, Nissan – 7 vitórias
  • Lexus(Toyota) – 3 vitórias
  • McLaren, Mercedes-Benz – 2 vitórias
  • BMW, Peugeot, March, – 1 vitória

Obrigado a todos por terem acompanhado a história dos 1000 km de Suzuka aqui no blog! Se der tudo certo, logo mais estou trazendo a história de mais duas provas clássicas do endurance japonês: as 24 Horas de Tokachi e os 1000 km de Fuji!

Isso finaliza a série de postagens sobre os 1000km de Suzuka, escrito por Nick Nagano para o Super GT Brasil e publicado no granturismo.blog.br sob autorização. Acesse o site da Super GT aqui e fique ligado em novas postagens sobre o automobilismo japonês na aba convidados do blog.

 

2 de julho de 2015

História dos 1000km de Suzuka III

Por Nick Nagano do Super GT Brasil.

História dos 1000 km de Suzuka III – A vez do turismo: BPR, FIA GT e os nativos

FIA GT Suzuka 1998

 No post anterior vimos a era oitentista de Suzuka: a transição do período do Grupo 5 ao sucessivo Grupo C (com a implementação da corrida no calendário da JSPC), as vitórias do Porsche 956/962 e o triste fim da categoria. Neste post, vou contar o que define exatamente os anos 90 da lendária corrida de 1000 km de duração: sai os belos protótipos feitos para durar nas pistas e entram os gran turismo que podemos ver não só andando nas pistas, mas andando também nas ruas.

Com o Grupo C despachado, restou aos organizadores da corrida anual entregarem o circuito a um calendário de nível internacional – algo que aconteceu em 1992 graças ao fracasso e a decadência das novas regras do Grupo C. Ao meu ver a decisão não era necessária, pois os 1000 km de Suzuka poderiam fazer parte em definitivo do JGTC, mas em 1994, surgiu um dos campeonatos internacionais mais influentes do mundo quando se fala em turismo nos dias de hoje. Falo do BPR Global GT Series, ou BPR Global Endurance GT Series, como preferir, foi elaborado por Stéphane Ratel (que fundará a SRO em 1995), Patrick Peter e Jürgen Barth.

O campeonato traria atrativos como oito corridas espalhadas pelo mundo (incluindo o Japão/Suzuka, o interesse desse post) e carros de corridas baseados nos modelos mais avançados da Ferrari, Porsche, Lotus, Venturi e cia. A maioria era europeu, mas também apareciam americanos como o Callaway Corvette e japoneses como Toyota Supra e Skyline GT-R, especialmente em Suzuka.

A maioria das corridas do primeiro ano do BPR tinham 1000 km de duração, então era ideal que Suzuka fizesse parte da festa. Em 1994, cerca de 39 carros foram previamente inscritos nos 1000 km de Suzuka, com direito até a participação de um velho guerreiro construído no regulamento do Grupo C, o Toyota 94C-V, que chegou em segundo lugar na edição das 24 Horas de Le Mans do mesmo ano. Não me pergunte como ele foi aceito numa categoria de turismo, ele foi o único carro do tipo a participar. O restante era composto por carros da GT1, GT2, GT3, N1 e os pequenos bolhas RS. Suzuka era a penúltima corrida daquela temporada.

Quanto ao resultado, deu Porsche, mais uma vez, mesmo no turismo, um 911 da geração 964 conhecido como Turbo S LM, venceu sob direção de Bob Wollek, Jesús Pareja e Jean-Pierre Jarier… que nomes!

Um resumo da temporada do BPR em ’94 (1000 km de Suzuka a partir de 21:50 do vídeo):

Em 1995, com mais de 10 corrida no calendário, o BPR teve quase 50 carros participando da corrida de Suzuka, pra você ver como japonês curte correr de carro. Em resumo, com a interessante elaboração do campeonato, o ano seguinte do BPR também teve passagem por Suzuka – e foram completamente dominados pela nova figura do endurance mundial: a McLaren F1 GTR.

McLaren F1
O brasileiro Maurizio Sandro Sala foi um dos pilotos do F1 GTR #1
que venceu
os 1000 km de Suzuka em 1995. Note a pintura similar
ao do vencedor de
Le Mans no mesmo ano

Depois que a Porsche introduziu o 911 GT1 em 1996 na corrida de Spa e o enorme interesse das principais montadoras em  investir no campeonato, o BPR teve seus dias contados. Já dá pra imaginar o que vem por aí…

Entrava em cena o FIA GT. E os 1000 km de Suzuka foi junto!

FIA GT Suzuka 1998 2

A partir de 1997, criou-se uma visão diferente dos novos Grand Touring 1 (GT1). Nesse ano, o interesse no campeonato foi de imediato – entraram em cena a Mercedes, Porsche (de caráter oficial), Panoz, entre outras. Com o conceito já adotado pelo 911 GT1 em 1996, todos os modelos que começaram a competir na principal classe a partir do ano de ’97 apresentavam a mesma característica: corpo de protótipo, mas que mesmo assim parecessem ao máximo as versões de rua referentes. A especificação não condiziam em nada com as versões originais, mas cada carro participante da classe (e do campeonato) teve pelo menos 25 versões de rua construídas para ser homologada. A medida por si só não é inovadora, pois em 1994 a Dauer construiu alguns Porsche 962 exclusivos adaptados para andar nas ruas, mas com propósito de vencer especialmente as 24 Horas de Le Mans – dito e feito.

A corrida de 1997 dos 1000 km de Suzuka foi completamente dominada pela Mercedes-Benz CLK-GTR.


 Recomendo assistir todas as partes!

Em 1998, apareceu uma segunda variante da já campeã CLK-GTR no ano anterior: a CLK-LM. Com esta nova versão, não foi diferente: as duas melhores qualificadas partiram da posição 1-2 (as antigas CLK-GTR largaram na 4-5) e sequer deram chances aos rivais, como o belíssimo Porsche 911 GT1-98.

FIA GT Suzuka 1998 3
CLK-LM vencedora da edição de 1998

FIA GT Suzuka 1998 4
Sim, o canguru (leia-se Mark Webber) esteve no carro vencedor!

E você acha que só o pessoal do FIA GT apareceu pra correr? Não. Pela primeira vez, alguns carros que estavam competindo a tempo inteiro no JGTC na época optaram por inscrever seus carros na corrida, como foi o caso do Honda NSX #100 do Team Kunimitsu (que infelizmente abandonou), o Nissan Silvia S14 do Team Daishin e o Toyota Supra da SARD especialmente preparado para esta corrida, com o numeral #139, entre outros.

Como a Mercedes tinha sido campeã definitiva do FIA GT em 1997 e 1998, as outras equipes desinteressaram no campeonato e retiraram seu programa de desenvolvimento. Além da categoria GT1 sofrer mudanças drásticas pelas mãos da ACO (organizadora das 24h de Le Mans) e da FIA, devido a influência dos esporte-protótipos e o altíssimo custo de desenvolvimento.

O ano de 1998 foi o último do FIA GT em Suzuka.

FIA GT Suzuka 1998 5

Mas a tradicional corrida de 1000 km não tinha como ficar órfão de evento, então no ano seguinte, foram aceitos os carros do JGTC em definitivo, mas a corrida não fazia parte do calendário oficial do campeonato.

Isso é assunto para a parte IV, que virá nos próximos dias!

 

10 de junho de 2015

História dos 1000km de Suzuka II

Por Nick Nagano do Super GT Brasil.

História dos 1000km de Suzuka II – A era do Grupo C

Suzuka

A série de posts sobre os 1000 km de Suzuka continua depois de uma longa pausa. Chegamos na segunda parte desta linha do tempo histórica. Até peço desculpas pela demora, mas faltou um pouco de tempo e cabeça pra fazê-lo, visto que não há tanto interesse por parte dos leitores no blog, mas vamos andar mesmo assim.

Os anos 1980 foi um marco pra história do automobilismo, especialmente quando a FIA resolveu regulamentar uma nova categoria em substituição do Grupo 5, que teve quatro estágios diferentes de 1966 à 1982. Nesse mesmo ano, entrava em cena o Grupo A, o Grupo B e, finalmente, o assunto que contempla esta parte da história dos 1000 km de Suzuka: o Grupo C.

Toms 85c

 Assim que foi introduzido, logo foi dada como principal classe de carros do World Sportscar Championship. No caso do Japão, o Grupo C serviu de base para a criação do All-Japan Sports Prototype Championship – o primeiro campeonato cujo os 1000 km de Suzuka fez parte do calendário.

Em 1980, 1981 e 1982, venceram respectivamente três carros do quase extinto Grupo 5 (um March 75-S wankel, um Porsche 935K3 – este pilotado por duas lendas: Bob Wollek e Henri Pescarolo e uma BMW M1 de equipe japonesa). Em 1983, ano de estreia do JSPC e de Suzuka como parte do campeonato, não restavam dúvidas de quem iria se sair melhor. No ano anterior, ele já tinha dominado 4 das 8 etapas do Mundial (na época conhecido como World Endurance Championship) e ganhou o carisma de quem soubesse dos seus feitos. Sim, o Porsche 956 venceu a corrida, pilotado por Vern Schuppan e Naohiro Fujita. Era o começo de um domínio alemão em território nipônico.

O feito foi repetido no ano seguinte com um 956 #18 da NOVA ENGINIEERING, decorado com a tradicional pintura da Advan, sob comando de Kunimitsu Takahashi (prestes a fazer seu nome na tradicional corrida), Kenji Takahashi e Geoff Lees. Logo acima, você pode ver a primeira parte de um highlight da corrida de 1984. Olhando os Grupo C, percebe-se a Toyota na tentativa de combater o alemão com seus chassis DOME, uma vasta variedade de protótipos da Nissan (chassi March) “maquiados” sob nomes de carros de rua como Silvia, Skyline e Fairlady (posso falar um pouco mais sobre eles num futuro post) e sem contar a presença de um DOME RC83 pintado no lendário laranja Autobacs, todos massacrados pelo lendário Porsche 956.

E como se não bastasse, o sucessor do 956 também não poderia deixar de passar por Suzuka e Kunimitsu, novamente, ao lado somente dessa vez de Kenji, apesar de largar no meio do grid, venceram com o Porsche 962C, com uma decoração quase idêntica ao carro do ano anterior. Curiosamente, a corrida de 1985 não foi disputada para encerrar no período noturno.

E por falar em JSPC, no mesmo ano, Kunimitsu Takahashi acabará de conquistar sozinho seu primeiro título neste campeonato promissor, dando a Porsche mais um brilho no automobilismo nipônico. E não para por aí, mas para explicar este tema, será necessário um outro post específico sobre o JSPC inteiro, que não vem ao caso por simplesmente retratar a passagem do campeonato pela prova de 1000 km em Suzuka.

Dando continuidade aos feitos, em 1986, novamente um Porsche 962 (From A) acabou vitorioso, mas em 1987, pela primeira vez desde a adesão do Grupo C à corrida, um protótipo japonês terminou na primeira colocação: o Toyota 87C da TOM’S, pilotado por Masanori Sekiya, Geoff Lees e Hitoshi Ogawa. E sinceramente, não demoraria para os japoneses começarem a brigar de vez pela corrida em casa com projetos de peso, apesar de que naquele mesmo ano, o Porsche 962 (a exceção de Le Mans) acabou sendo batido também no Mundial dos esportes protótipos pelo Jaguar XJR-8 e que teve como piloto campeão o brasileiro Raul Boesel.

Mas ainda deu pra Porsche escrever no currículo algumas vitórias seguintes nos 1000 km de Suzuka, que vieram em 1988 e 1989, as últimas do icônico protótipo originado de seu irmão quase idêntico.

O ano seguinte foi da Nissan, outra montadora de caráter forte nos esportes protótipos, ao lado da Toyota. Foi com esta vitória que o piloto mais rápido do Japão, que atende pelo nome de Kazuyoshi Hoshino, escreveu seu nome no hall da corrida. Curiosamente, esta foi a sua única vitória nos 1000 km de Suzuka. Até Toshio Suzuki venceu mais uma, em 1993.

Nissan Silvia March chassis
Calma, isto é um March 83G renomado para “Nissan Silvia Turbo C”, apenas

Agora vem uma parte bastante curiosa. Sabem aquele piloto ofuscado por Ayrton Senna, simplesmente por ter morrido um dia antes e ser muito mais creditado? Pois é, Roland Ratzenberger, antes de aceitar o convite de realizar o sonho de disputar algumas corridas da Fórmula 1 pela Simtek, foi piloto oficial da Toyota/Tom’s, no auge do investimento da equipe nos anos 1990.

E sim, ele venceu uma edição dos 1000 km de Suzuka, a de 1991, com o Toyota 91C-V, ao lado de colegas Pierre-Henri Raphanel e Naoki Nagasaka. Um feito que até merece ser lembrado, especialmente para aqueles que só circulam pela F-1 ou que não viam Ratzenberger como alguém com vários objetivos além da categoria máxima. O austríaco ainda participará de outras duas edições antes de dar de cara com a morte, em 31 de abril de 1994.

Apesar da vitória em ’91, Ratzenberger jamais repetiu o feito e muito menos a Toyota. O Grupo C estava vivendo sua fase final no desporto e em 1992, com a “devastação” que a FIA implantou na categoria, já prevista logo no ano anterior, desfavoreceu muitas equipes no Mundial – e claro, isso trouxe efeitos para o JSPC, que foi datado como extinto a partir de 1992, com a corrida de Suzuka a ser realizada como parte do WSC e que teve como vencedor na corrida o (e por que não?) icônico Peugeot 905 Evo Bis. E em 1993, com o fim do JSPC e o Grupo C sendo despachado aos poucos de todas as corridas mundiais, entrou em cena o nosso querido JGTC, mas que é sempre ofuscado pelos históricos de 1993 desconhecidamente, talvez pelo fato não de haver tantas marcas envolvidas oficiais envolvidas fora a NISMO.

R92CP #25 1000km Suzuka winner

Com três voltas de vantagem sob o segundo colocado, o belíssimo R92CP acima, um carro de 1992, com algumas melhorias aerodinâmicas, foi o vencedor de 1993. Apesar de estar dentro de uma corrida do JGTC, os protótipos do Grupo C foram aceitos nos 1000 km de Suzuka e terminaram nas três primeiras posições. Em 1994, outra figura do Grupo C apareceu na corrida junto aos novos GT, mas isso é post para a parte III, que virá nos próximos dias!

Nota do RobsonB: Infelizmente um vídeo de 1985 da postagem não existe mais. Próximo post semana que vem. Deixei em cinza o primeiro parágrafo porque era uma mensagem direcionada ao pessoal do blog original da postagem.

 

8 de junho de 2015

História dos 1000km de Suzuka I

Por Nick Nagano do Super GT Brasil.

História dos 1000km de Suzuka I – The beggining

Como domingo passado* foi realizado a 43th edição dos famosos 1000 km de Suzuka, acho justo fazer uma tour por uma linha do tempo contando sua história.

Suzuka Circuit é um verdadeiro templo automobilístico, assim como seu maior arquirrival em terras nipônicas: o Fuji Speedway. É inegável dizer que Suzuka é um dos palcos de corridas mais importantes do mundo, afinal, foi a casa de duelos mundiais como as de Senna vs. Prost, na Fórmula 1. As intermináveis vitórias de Schumacher, também na F-1. A batalha de Hoshino vs. Nakajima, na Formula Nippon (quando se chamava F3000). E infelizmente, também de momentos trágicos como mortes recentes de Daijiro Kato, da MotoGP, de Mário Sanz, em um teste da F-1, ou mesmo a perda de Hitoshi Ogawa, que decolou no retão dos boxes em 1992, na F3000. Só citando exemplos. Todo esse privilégio foi dado graças a uma idealização da Honda, escalando então John “Hans” Hugenholtz para desenhá-lo, a principio, para testes privados, numa configuração incomum – o circuito foi posto em forma de “oito”, no qual passa por um viaduto que antecede o segundo setor da pista. O Suzuka Circuit surge oficialmente em 1962.

Não é a toa que é um dos meus circuitos prediletos, mesmo correndo por lá só em vídeo-game.

Suzuka - plain
NOTA: Estes são os desenhos iniciais omitidos antes do circuito ser construído.
Não confundir com a evolução fora do papel!

 Ao longo de mais de 50 anos de vida, o circuito foi modificado três vezes. Como na ilustração acima, o último tracejado acabou sendo a primeira configuração do circuito, passando por uma reforma em 1983, com a implantação da famosa chicane – a Casio Triangle – e em 2002, sendo modificada novamente, com um pequeno “update” em 2003 envolvendo a chicane e a matadora 130R, que se estende até hoje.

Durante todo esse tempo, desconsiderando o GP do Japão de Fórmula 1 (realizado no circuito desde 1985, descontinuado em 2007 e de volta em 2009), um dos maiores eventos de automobilismo do mundo sempre foi realizado por lá: os 1000 km de Suzuka.

Suzuka

Apesar dos 1000 km de extensão, o evento começou oficialmente durando “apenas” 500 km. A foto acima ilustra a primeira largada do evento, realizado em 1966 e que teve com bom vencedor o lendário Toyota 2000GT, com Sachio Fukuzawa e Tomohiko Tsutsumi a bordo, no carro #2.

Suzuka 2
Largada ao bom estilo “Le Mans” de ser

No ano seguinte, a duração do evento mudou: agora são 12 horas de corrida. O evento ficou conhecido em 1967 como “As 12 Horas de Suzuka”, e teve como vencedor um Porsche 906 (antes do sucesso absoluto  da marca em Le Mans e nas outras endurances, inclusive. O Porsche 906 só teve vitórias em classe até esse feito.) pilotado, também, por pilotos japoneses: Shintaro Taki e Kenjiro Tanaka.

Suzuka 1000km - Sachio - Toyota 7
Toyota 7, o “primeiro” vencedor dos 1000 km de Suzuka

Sim, o da foto acima é o Toyota 7. Um dos primeiros a correr oficialmente e bem diferente daquele que você pode dirigir no Gran Turismo. Os samurais Sachio Fukuzawa e Hiroshi Fushida guiaram esta lenda por intermináveis 1000 km no circuito hondista. Segunda vitória da Toyota no evento, portanto.

Mas no ano seguinte a Porsche acaba que empatando. Novamente, durando 12 horas, a edição de 1969 foi a segunda e última disputada neste formato. Quem acabou emplacando a vitória geral foi novamente o Porsche 906, uma das últimas corridas do Porsche 906 na história – antes de ser definitivamente trocado pelo 910, o vencedor dos 1000 km de Suzuka de 1971. No ano anterior, outra montadora japonesa entrou no Hall das nipônicas que venceram em casa. A Nissan acabou ganhando em 1970 com um Fairlady Z432 (com motor S20 dos GT-R KPGC e especificação técnica similar) com Kawakami Nishino e Koji Fujita a bordo. Em ’72, a Toyota subiu no topo novamente, com o novo Toyota Celica 1600GT-R.

Suzuka 1000km - Celica

Com apenas 170cv de potência a 8000 rpm e 16kgfm de torque a 6500 rpm extraída do 2T-G 4 em linha, o carro venceu não só os 1000 km de Suzuka, mas também o GP japonês, disputado em Fuji e em Suzuka do mesmo ano. Feito que não conseguiu repetir em 1973, quando o vencedor foi novamente o Fairlady Z, na versão Z432R, modelo esse especialmente para homologação em corridas.

Fairlady Z
Infelizmente não consegui achar uma foto original… Vai uma miniatura, mesmo

O modelo acima é o vencedor. Além do fato desta vitória ter sido de outro Zetto, era a primeira de uma das maiores lendas do automobilismo japonês, cujo é considerado “O pai do drift”, por apresentar com precisão esta técnica ao Japão (apesar de diversas controvérsias sobre a criação do drift). O nome do sujeito é Kunimitsu Takahashi.

Sim, Kunimitsu Takahashi, nos anos 70, mais parecia uma senhora piloto do que um samurai.
Sim, Kunimitsu Takahashi, nos anos
70, mais parecia uma senhora piloto
do que um samurai.

No boom do automobilismo japonês, Takahashi já era piloto de fábrica da Nissan. Pilotou o lendário R380 e, o mais lendário ainda, o famoso “hakosuka” Skyline GT-R KPGC10. Até hoje esse cara é retido como uma das lendas do automobilismo nipônico. E não foi diferente nos 1000 km de Suzuka: ele é o maior vencedor da festa, com quatro vitórias no total (1973, 1984, 1985 e 1989).

Durante esses primeiros anos dos 1000 km de Suzuka, eis uma pergunta: onde a Honda foi parar nesse tempo todo? A dona do circuito teve que segurar duas tragédias no evento: Takashi Matsunaga, em 1969, com o Honda R1300, acabou batendo no guard hail da Spoon Curve, que fez com que seu carro entrasse em chamas e consequentemente com ele de passageiro. O resultado foram queimaduras de terceiro grau no seu corpo. Tais sequelas o levaram à óbito 25 dias depois.

Depois, no ano seguinte, outra morte. Kiyoshi Akiyama teve um destino similar, dessa vez, com o pequeno Honda S800, um acidente causado na mesma Spoon Curve onde faleceu Matsunaga, fez com que seu carro pegasse fogo rapidamente. O outro piloto envolvido, Hiromi Nishino, escapou ileso do Isuzu Bellet concorrente, mas Akiyama permaneceu no carro em chamas por… 15 minutos! Inimaginável nos dias de hoje… Mas a preparação naquela época era outra. E Akiyama morreu lá mesmo, queimado vivo.

Os 1000 km de Suzuka deixaram de ser realizados entre 1974 e 1979, voltando apenas em 1980. O próximo post contará o que ocorreu neste período, marcado principalmente pelo épico Grupo C de protótipos. See you!

Nota do RobsonB: A prova ocorreu no fim de outubro de 2014, por isso o começo cita a mesma semana.

 

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