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13 de janeiro de 2015

Por que a Ford matou o GT

Novo Ford GT

A sensação do momento, o “all new” Ford GT. Ele nem surgiu direito e em 24 horas já está figurando até na capa do próximo Forza, como se pode ver abaixo. Forza que está rumo ao terceiro título do Xbox One desde seu lançamento, realidade oposta ao que temos com GT e o PS4, mas isso é assunto pra outro dia.

Capa Forza 6 com Ford GT '16

E eu confesso que tentei olhar pra este carro e sentir alguma coisa, mas eu realmente não consigo simpatizar com ele. E tenho meus motivos como fã de história automotiva pra isso. Primeiro, vamos ao princípio da coisa, o Ford GT é uma releitura do lendário Ford GT40 mk I, o carro de corridas da década de 1960 que deu uma surra na Ferrari por 4 edições de Le Mans (1966~1969), entre outras provas pelo mundo. O carro, por si, era uma resposta direta da Ford (junto a Lola, que é quem está atrás desse projeto) contra a Ferrari, então este carro tem um legado muito forte, ele não veio a passeio. A história remonta que a Ferrari vinha invencível em Le Mans de 1960 a 1965 (6x a vencedora) e em razão de atritos e interesses comerciais a Ford entrou de cabeça para derrubar essa soberania. Assim nasceu o Ford GT40. Forjado nas chamas do calor da batalha.

Ford GT - cima

Até aqui, é o básico, nada especial e certamente se você está lendo estas linhas é porque é apaixonado por este mundo de carros, ou seja, é uma história velha já, sem novidades. O que importa é que o GT40 original deu as caras antes, e ele era, bem, era algo longe de ser um sucesso nas pistas. O projeto era tão minguado que em 1964 passou para as mãos de Carroll Shelby. O lendário Carroll Shelby. Sabe o Cobra? E aqueles Mustang envenenados?! Então, o próprio. E este modelo comemorativo que virou o Ford GT de 2005 teve como consultor nada menos que ele próprio (que nos deixou em 2012 e estaria de aniversário dia 11/01).

Ford GT 2016 - interior

Afinal o Ford GT moderno é mesmo uma homenagem aquele clássico Mk I, pelo centenário da marca. É ousado, porque refazer um carro de corrida para as ruas com tecnologia atual exige muito cuidado e a Ford foi extremamente feliz neste caso, até por ter a mão de quem fez o GT40 decolar de verdade. A produção deste passou dos 4 mil exemplares, menor que a meta, mas ele se tornou conhecido e reacendeu a história dos anos 1960. E é aqui que começa a minha birra com o modelo de 2016.

Ford GT 2016

Ela começa com o motor Ecoboost V6 turbo de 3.5L. Uma das histórias que se conta é que a primeira coisa que Carroll Shelby fez ao receber os carros da FAV (Ford Advanced Vehicles) para os tornar competitivos e confiáveis foi colocar o maior motor disponível (tanto que o Mk II vencedor de Le Mans tinha um de 7 litros!), na menor e mais leve carroceria possível. A fórmula é a mesma do Cobra. E a razão era simples, um motor maior trabalha numa faixa mais baixa, gerando menor desgaste e maior confiabilidade para a prova de 24h.

Novo Ford GT - logo

Só pra fins de comparação, as Ferraris que o GT brigava em Le Mans tinham motores V12… de 3 ou 4L. E a razão dele, o GT40, ter parado foi justamente a mudança de regras que não permitiam motores sem limite em 1970 – matando junto o Mk IV. Então, deste ponto de vista, o novo GT com Ecoboost é algo que vai contra todo o preceito que deu origem ao modelo.

E veja estas três fotos, de cima pra baixo, GT Mk I, Ford GT ’06 (do GT5) e o novo GT 2016 de traseira:

ford-gt40-mk1

ford_gt_2006

ford_gt_2016

Note como o teto vai fechando em cunha em direção ao escape no novo GT, que tem uma traseira muito mais baixa nesse sentido. E a coluna por fora, lanterna redonda projetada, respiro da janela do cofre do motor… tudo relembra muito mais a Ferrari que o próprio Ford GT40! Não vou ilustrar cada detalhe, mas dois destes quero deixar abaixo propositalmente por serem da Ferrari para comparação (da F430 e a 599 GTB que fotografei):

Ferrari-F430

Ferrari 599 GTB Fiorano - aileron

E eu nem entrei em outras marcas para mostrar a miscelânea que foi feita para se criar este carro da Ford. O novo GT, pra mim, é um carro que sofre uma crise séria de identidade, é algo bonito, mas foge de tudo que deveria representar e cai num mar de mesmismos que se vê em termos de design automotivo tem uma década, ou seja, sofre de ser algo ao qual estamos visualmente acostumados, mas que está disposto de uma forma nova apenas. Se for reparar, suas lanternas parecem ter sido de alguma Ferrari dessas modernas ou até da Lotus Evora e caiu ali. Não acredita em mim? Veja você mesmo rolando abaixo.

Ferrari F12 Berlinetta traseira lanterna

Ford GT - detalhe 2

2011-Lotus evora S

Se passou batido, nem notou que o Ford GT novo é o do meio acima, não o último (F12, GT e Evora S), só com a cor trocada.

Ford GT - detalhe

E não é só isso… poderia pegar outros pontos com Lotus ou com algum Agera ou Huayra da vida, tirando alguns detalhes como o capo que se mantem como no GT de 2005. Enfim, do meu ponto de vista, mataram o Ford GT com essa… então, o chamem de “super carro”, como quiserem, afinal, o motor dele é mais potente, graças ao turbo, que o anterior.

ALL NEW FORD GT - lateral

ALL NEW FORD GT - traseira de porquinho

ALL NEW FORD GT - oinc oinc

São 600cv e um pouco menos de história com uma pitada de Angry Birds, como já não perderam tempo em tirar sarro…

angry-birds

Hahahah… essa desgraça não pode ser desvista.





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