Recentemente me mudei. Não em definitivo, sigo procurando um canto para mim (donos de imóveis que lerem isto, me contatem), mas é inacreditável alguns sensos de valores que existem em Bento e isso perturba a força.
O salário já conhecemos, um atendente em Bento ganha cerca de 650 reais como salário, na média. O salário, diz a constituição brasileira, deveria sustentar um casal, seus dois filhos e sua casa. Uma grande mentira, uma ilegalidade que o governo insiste em mascarar – seja o federal, seja o estadual. Andando nas imobiliárias daqui, percebi que algumas vivem na época de Cristo, ao pedirem seguro de 6 meses (aluguel + condomínio), dois fiadores e, ainda mais absurdo, que quem alugasse pagasse o IPTU!! Nunca a construção civil esteve tão em alta, pudera, se você tem lá 2500 reais para um mísero AP de 1 quarto (que não é novo), 2 proprietários e mais o valor do UPTU “sobrando”, você vai num banco qualquer, faz um financiamento e compra de uma vez um imóvel novo.
O aluguel de um kitnet ou apartamento de um quarto gira de 350 a 450 reais. Com excessão do bairro São Bento/São Francisco que pode chegar a custar 570 reais, mais que no centro. Inexplicável. Aliás, isso explica por que toda a cidade está minada com cartazes das imobiliárias escrito “ALUGA-SE”. Quem tem meios de arcar com isso sozinho, comprou um imóvel, e quem não tem não mora nesses lugares. Vi, sinceramente, verdadeiras espeluncas avaliadas em 300 reais. E eram absurdamente pequenos, bastante umidos, feios de verdade.
Bento criou a cultura do apartamento. Criam-se casas, alugasse o porão e se coloca um valor irreal pelo espaço de, não raramente, pouca ventilação. Algumas casas tem 2 andares, às vezes 3 andares (um sendo para baixo), daí são chamados apartamentos, embora não exista um prédio. Há bairros assim, com centenas de apartamentos e nenhum prédio. Essa sub-locação de uma casa gera lucro. Não raramentem o dono mora por ali, no andar de cima…
O que eu quero dizer nisso tudo é que um salário, dependendo, não paga nem o espaço para uma única pessoa viver (afinal, uma família não pode dizer que vive confortavelmente em 28m²).
Nesse local temporário que vivo hoje com a Fernanda, para tentar obter algum conforto no deslocamento dela para o trabalho, tentamos o contato com alguma van (se você tem uma van, também pode entrar em contato). A única que se disponibilizou, em razão do horário (vida de prof de escolinha não é fácil), apenas para ir (1x) durante 20 dias no mês, quis cobrar 150 reais. Isso apenas para ir. Para dar noção, os R$ 7,50 diários da van para o percurso de uns 6 kms custam, de táxi, também para ir, cerca de 12 reais. Estou falando de táxi, com bandeirada, como num dia normal que desse na telha ir e fosse chamado. Dependendo, de táxi, num acordo, sem a bandeirada, fixo, o preço caísse ainda mais. Faz sentido reclamar do preço quando o ônibus público de Bento custa R$ 2,20 para compreender uma rota de distância de 6,5kms médios (as linhas não andam muito mais que isso). Aliás, como usuário que ainda não possui carro ou moto, devo ficar feliz que o valor esteja em apenas R$ 2,20, pois o desejo das empresas de ônibus era R$ 2,78. Isso nos modernos ônibus que não possuem calefação (numa cidade que tem temperatura negativa no inverno) e nem ar-condicionado (para aqueles dias que Bento faz 36°C) como padrão de frota. Isso sem falar da portabilidade para deficientes físicos e o fato de que o motorista em Bento também é o cobrador (se bobear, é a faxineira, o lavador, o porteiro e o frentista do seu ônibus também).
Aliás, dizer R$ 2,78 é um ato de pilantragem, sinceramente, digam R$ 2,80, pois NUNCA vi nem em estabelecimentos darem, por opção, esses centavos de volta. No Nacional, no último sábado, deu um valor com 2 centavos quebrados, eu não tinha 2 centavos, dei 5 centavos, você acha que o caixa me retornou os 3 centavos de troco?! Hey, Nacional (e Apolo, Grepar e cia), vocês estão no mesmo bolo de dificuldade de devolver troco na casa dos centavos, mas sabem cobrar estes.
Em resumo, quantos salários/empregos uma pessoa normal tem que ter para viver?