No meu trabalho, no jornal, se ouve muito que não existe nada mais velho que notícia de ontem, mas é exatamente isso que essa postagem é, não é mesmo?! Você, que lê este espaço, deve ter acompanhado “ontem” pela página do blog no facebook (e se ainda não curtiu, curta e acompanhe) que nessa quarta do dia 15.05 foi celebrado os 15 anos da série Gran Turismo. E que teríamos novidades, todos sabíamos, especialmente pelo teaser disparado pela Polyphony. A novidade, óbvio, é Gran Turismo 6 no PlayStation 3, ainda sem uma data certa, mas este ano ainda, muito provavelmente na finaleira de ano, tal qual a Newegg (e a Multiplayer, depois) preconizou.
Pré-conferência
Minhas primeiras informações, de manhã cedo ainda (umas 5 horas antes da conferência iniciar, que no nosso horário se daria ao meio dia), veio dos preparativos dela. A começar pela Toyota do Reino Unido/Europa, que foi quem mais forneceu informações sobre o que estava acontecendo.

Eles falavam sobre os GT86s que foram levados com uma unidade ECU diferente da padrão, a CAN ECU, que permite conectar por GPS e transmite em tempo real para aplicações em telefone ou via Internet os dados do carro (aceleração, velocidade, marcha, freio, e rotação do volante), seu posicionamento e dados de desempenho e permite o acompanhamento ao vivo do que está acontecendo com ele, remotamente. A novidade exclusiva da Toyota no evento, claro, é que esse sistema estava num carro turismo normal, e não num carro de corrida. E como somente o GT86 tinha esse recurso na mão, que tinha até uma ponteira USB no porta-luvas para baixar os dados do computador de bordo, gravados diretamente da CAN ECU, para se salvar num Pen Drive, esses dados foram usados em um software específico feitos para o PS3, no caso, o próprio Gran Turismo 6 Demo que estava rodando por ali e tinha um menu GPS que recriava o replay da volta real do GT86 dentro do jogo, permitindo que um piloto visse sua volta real no ambiente do Gran Turismo.

Imagem do visualizador de dados coletados pelo GPS do GT86 no GT6, divulgada horas depois
Essa é uma das coisas mais bacanas que a Polyphony se envolveu com alguma montadora para fazer e que já havia sido citado anteriormente, junto ao Nissan GT Academy. Claro que quando escrevi isso, eu não sabia qual era exatamente o aplicativo feito sob medida pro GT86. Por conta disso, um perfil falou sobre o Course Maker, o recurso do GT5 que permite criar suas próprias pistas, que teria sido aperfeiçoado e agora permitiria incluir traçados a partir de informações coletadas por GPS, via tablet ou telefone, gerando muita confusão sobre a visualização de dados do GPS oriundo do CAN ECU do Toyota GT86.

Vindo pela Ford do Reino Unido, o piloto Daniel Brown estava levando caronas para dar voltas com um Ford Focus ST em Silverstone. E foi pelo Instagram que veio algumas imagens de bastidores antes de começar o evento oficialmente.

Palco montado, tudo ficando pronto para o evento de 15 anos
A SCEE fez um evento que pareceu muito bonito e organizado pelas fotos que foram aparecendo. Havia fortes referências ao GT Academy durante o evento, como o banner do Nissan GT-R N24 GT Academy ’12 abaixo, carro da capa da versão especial GT Academy na Europa e estrela da sazonal especial de 15 anos do Gran Turismo.

Foi pouco antes das 10 da manhã que um site revelou muitas informações do Gran Turismo 6. Era tanta informação que eu pensei que era falso, mas no fim estava certo mesmo, vazou a informação de que GT6 teria 1200 carros, com mais itens de customização, melhor física e seria realmente pro PlayStation 3 mesmo. Algo se disse sobre a oferta regular e abundante de DLCs para complementar o jogo continuamente, mas ele já viria com 33 locações, resultando em 71 layouts diferentes (19+ que no GT5). Os jogadores poderiam criar suas comunidades e haveria suporte a telefones (smartphone), tablets e PCs.
Com tanto barulho e o horário do início se aproximando rapidamente, a atenção começou a pipocar nas imagens de carros que estavam estacionados em Silverstone para a comemoração.
A Ford do Reino Unido publicou essa imagem do GT40 (esta acima) em seu twitter, questionando se nós lembrávamos desta máquina no GT4. Bom, ele é só um dos melhores carros do GT2 pra cá…
Entre as figuras que estavam paradas por lá, havia o protótipo em escala real do Red Bull X2010, que esteve presente em episódio da GT-TV e foi usado em túnel de vento pela equipe para testes reais. Imagine que bacana poder ver de pertinho o X2010.

E atiçando a curiosidade, a Ford disse que haveria uma surpresa a caminho. Nisso era meio dia já, se iniciava…
A conferência
Imagens de quem estava presente, via Instagram e Twitter, mostravam aqueles instantes de “silêncio ansioso” pela espera da abertura da conferência dos 15 anos da série. É como aquele instante antes do filme começar no cinema, em que você quer guardar cada segundo do que ainda nem começou. E então:
“Gran Turismo é a franquia com maior sucesso do PlayStation”
disse Jim Ryan, presidente e CEO da SCEE, primeiro a falar, explanando as razões pelo qual Gran Turismo é uma franquia importante e valorizada pela Sony. Não de graça, no evento que celebrou os 15 anos da série que vendeu 70 milhões de unidades e vem acompanhando a Sony desde o primeiro PlayStation. E, nesse momento, pouco depois do início, que apareceu esta imagem:
A primeira imagem oficial que vi do Gran Turismo 6 foi esta, acima. Os ícones relembram os pares da série, que eu tanto gosto. E, meio vazado, do pátio, outra que também exibia o “6″ do Gran Turismo no cantinho esquerdo e na faixa preta do Supra.
Neste ponto, era 12:15. e eu já tinha visto o que eu queria. Se ainda não era oficial, agora era. E nesse ponto parou tudo. A conferência teve as portas fechadas, algumas pessoas da equipe da própria Sony saíram, pararam os tweets e as fotos. O silêncio para quem acompanhava de fora, do mesmo modo que eu, durou cerca de meia hora, então veio a notícia de que a Nissan e o PlayStation farão o maior programa GT Academy já feito, e nas palavras do próprio Kazunori será por meio do programa da Nissan que os jogadores irão antever como é o GT6 em primeiro plano, ainda em julho deste ano.
Não tardou e veio a bombástica notícia que todos esperávamos… era, enfim, oficial, vem aí o Gran Turismo 6. E vem para o PlayStation 3.
O que tem no Gran Turismo 6?
Bom, GT6 não é bem “GT6″… ao contrário do GT4, que foi um enorme salto sobre o GT3, o GT6 está mais alinhado com o que foi o GT2, ou seja, uma expansão do que já existia. A razão é óbvia, o hardware obsoleto não tem mais o que oferecer em termos de performance para fazer frente a algum salto tão grande assim. No campo visual, pouco se ganha sobre o GT5. A diferença está na simulação, que foi afinada ao limite do hardware, ao que parece. E, claro, por ser modular, tudo agora gira em cima de software, o que melhora algumas coisas, como as tão mal faladas sombras.
Conceito oficial do Gran Turismo 6
A diferença da simulação é tão grande entre 5 e 6, que para Jordan Greer, do GT Planet, Gran Turismo 5 parecia algo amortizado em termos de sensação de pilotagem e de feedback de direção frente ao demo do GT6 exibido em Silverstone, que ele experimentou no evento do dia 15.05. É a opinião de alguém que, da mesma forma que eu ou você que lê o blog, joga GT. E é um ótimo sinal do avanço que fizeram in-game, mesmo que seja impossível ver isso.
Primeiro vídeo do mundo in-game do Gran Turismo 6
Então, ainda do GT Planet, tem este interessante vídeo acima do novíssimo X-bow em Silverstone, em que se vê a “nova” (me parece a mesma, mas afinada) engine do jogo, mais compacta, com uma física mais elaborada para suspensão e pneus (“cortesia” da KW Automotive e da Yokohama Rubber).

A imagem me parece mexida… a saturação parece menor e o farol esquerdo ficou estranho.
A Polyphony se empenhou em ampliar o leque de meios de acesso, mas não ficou muito claro para mim como isso vai funcionar. Agora além do PC, dispositivos como smartphones e tablets terão maior conectividade e haverá mais funções sociais além do mural. Eu não entendi, assim, se a parte do smartphone/tablet vai permitir algum controle “in-game” ou se é algo exclusivamente feito para a rede social criada dentro do Gran Turismo 6. E explico a minha dúvida, entre a lista de coisas inclusas no GT6, uma me chamou a atenção:
Equilíbrio entre operações de botões de direções e operações de toque.
Oras, como poderíamos ter operações de toque se não há nenhum dispositivo do PlayStation 3 com este recurso – no PS4, porém, há o controle, o que me leva a outra dúvida, seria um lançamento simultâneo PS3/PS4 e a Sony está segurando o trunfo? –, será que poderemos navegar pelo jogo usando uma tela de toque do telefone para tal? Será que essa tela poderá exibir dados, tal como um controle de WiiU ou como se vê em apps para jogos de PC? Só mais adiante para saber.

Belíssima imagem da Ferrari Dino 246 GT. Todos os reflexos e sombras são agora de software
Muito da biblioteca do Gran Turismo 6 é herdada do GT5 (que recebeu uma boa dose de dados oriundos do já idoso GT4). Isso faz com que os 1200 carros ditos inclusos no disco do GT6 não sejam bem isso. Temos hoje cerca de 1070 carros no Gran Turismo 5, com os DLCs (que vão estar inclusos no GT6), o que significa que, por cima, de novo mesmo, são só uns 130 modelos. Alguns destes, da demo de Silverstone, já se descobriu:
- Alfa Romeo TZ3 Stradale ’11
- Alpine A110 1600S ’68
- Audi Sport quattro S1 Rally Car ’86
- Ferrari Dino 246 GT ’71
- KTM X-BOW R ’12
- Light Car Company Rocket ’07
- Mercedes-Benz SLS AMG GT3 ’11
- Nissan GT-R Nismo GT3 N24 Schulze Motorsport
- Tesla Motors Model S Signature Performance ’12
*estes modelos foram marcados como novos na listagem do site do gran-turismo.com. O Alpine A110 está no jogo como standard, mas é ano 1973 e não 1968.
São modelos novos, dos quais minhas mãos desejam se apossar certamente do Tesla Model S e da SLS GT3. E, mais que estes, há outros carros definidos, como a Ferrari 500 Mondial escolhida em Pebble Beach Concours d’Elegance e alguns Muscle (Mustang Mach 40, e os Camaros 1969 e 1973) vindos direto da SEMA. Só nessa apanhada rápida são 12 carros com nome já definidos.
Claro que há vários carros standard que deverão ser passados para Premium, caso da Lamborghini Countach que no vídeo do anúncio aparece levantando os faróis. Se todos serão Premium? Eu duvido muito. Mas diria que boa parte dos carros que mereciam essa conversão, a terão. Lamborghini, modelos LMS e os LMP1 que são Standard, deveriam migrar para versão Premium. Fora disso, o que vier será explorado como DLC, agora mais a fundo ao que tudo indica, e de forma contínua.

O possante e repleto de tecnologia Tesla Model S, um dos meus favoritos a vir pro GT6
Além dos carros, as pistas do GT5 serão mantidas, o que reforça a minha ideia de que o GT6 está como o GT2, apenas ampliando. Somam-se as pistas de DLC do GT5 e mais sete novas, incluindo Silverstone, dando 19 novas opções de traçado ao jogo. Isso parece pouco, mas se forem como Spa-Francorchamps darão um impulso excelente ao ritmo do jogo. Algumas aposto que são o retorno de Seattle e Apricot Hill, e se juntando a Silverstone teremos a nova Willow Springs International Raceway. Estas todas estavam no vídeo do NSX Concept. Assim, das 7 novas, 4 já teríamos os nomes, restam apenas 3 a saber. Eu torceria pela inclusão da Infineon Raceway (GT4), da El Capitan (GT3 e GT4) e da Grindelwald (GT2).

Silverstone, pista presente no Gran Turismo 6, palco do GT Academy real

Os cenários são amplos, elaborados, mas ainda pecam nos detalhes, como nas janelas
No fim. ficam 71 opções de traçados ao total, um recorde, que será expandido também via DLC. Meu receio pessoal é que a Polyphony vire uma mercenária como a Eletronic Arts, daí ela se acaba.

Enfim carros da classe GT3 para levar à pista. Adorei a inclusão, se tiver a 458 Itália perfeito!
Por falar das pistas, além das opções do GT5, há o Course Maker, que agora foi melhorado com novos algoritmos que aumentam a área da pista e um novo cenário vai estar disponível: Andaluzia (que com uma pesquisa muito rápida me deu a ideia de ser parecido com Toscana).

A Lambo Countach agora também será um modelo Premium
Não se limitando a isso, com um discurso consistente durante a conferência, GT6 busca por parcerias, colaborações inovadoras com empresas (como ocorreu com a Nissan e a Toyota) que vão aumentar com o lançamento do jogo e trará vários projetos novos e excitantes, que mesclam o virtual e o real, a ser anunciados após o lançamento. Foi com esta visão que veio a importante parceria com a fabricante de pneus Yokohama Rubber e a empresa de suspensões KW Automotive, especializadas e que forneceram as ferramentas adequadas para que a Polyphony criasse uma engine melhor para simulação no que se refere a pneus e suspensão.
A ideia de inserir uma rede social dentro do Gran Turismo não é nova, tanto que temos o mural, a diferença é que finalmente vão permitir a criação de clubes (e ligas) dentro do jogo. Isso vai ajudar muito a organização das equipes, caso da GGT.

Detalhe da sombra (e também das luzes), que via software ganharam um efeito como do GTA IV
O trunfo na manga veio da boca de Kazunori, “Temos o prazer de trazer o GT6 para o PlayStation 3, já que temos uma comunidade muito leal nesta plataforma. Entretanto, nós reconstruímos o jogo para o tornar muito flexível e expansível, vislumbrando fazer muitos desenvolvimentos futuros“. Essa linha, somada ao uso de touch citado na página do anúncio do GT6, e com o fato de existir uma equipe envolvida diretamente com o desenvolvimento do PlayStation 4, me faz acreditar que se não existir um “GT6 PS4″, o GT7 virá como um módulo de expansão, mais carregado de recursos e efeitos, enquanto que a versão do PlayStation 3 é uma versão “capada”, tal qual o GT5 o foi na época de seu lançamento. Do que entendi disso tudo, GT6 é uma grande carcaça vazia, onde cada coisa funciona de forma independente, e tudo roda via software (daí a sombra ser melhor nele, ou ter folhas voando, ou coisas do tipo), e isso foi feito para permitir que a Polyphony faça como os fabricantes de software operacional fazem, ao lançar GT7 ela não tenha de fazer tudo do zero, mas criar o que realmente precisa (a caixa, no caso) e reaproveitar itens que não precisem ser refeitos do zero… assim, um alpha de GT7 pode usar quase que tudo do GT6, e o desenvolvimento seja on-the-fly, mudando módulos para cada coisa, como temos visto com outros jogos que estão sendo feitos “abertamente” (caso do Project Cars), alpha após alpha.

Alpine A110, agora se tornou Premium, ano 1968
Mais notícias sobre isso, claro, somente na E3 e na Gamescom.
Minha impressão sobre o vídeo
O vídeo do X-bow permite ver pouca coisa. O som, ao que parece, não convence, não passa emoção alguma. Graficamente, embora seja honesto e rode sem efeitos para mascarar ou criar falsa sensação, eu achei o cenário colorido demais. A grama é mais verde que a do vizinho. Nem os gramados do Tiger Woods são tão exuberantes. Esse exagero estraga muito do realismo visual do Gran Turismo. São detalhes que outros jogos estão mais atentos e estão, no fim, fazendo mais bonito, apenas diminuindo a saturação da paleta de cores.

A nova engine permite uma fumaça ainda mais fluída e folhas voando, mas quero ver no jogo
Sigo ansioso pelo demo de julho. Dispensável dizer que irei jogar, gravar, comentar e, óbvio, postar aqui. E sei que o próximo passo, GT7, deve ter que andar muito se quiser se manter onde está, pois a concorrência que se aproxima é deste nível:
Tudo, para nós que jogamos, só tende a melhorar.
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